Intervenção de Ahmed Bukhari na 4a Comissão da ONU

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ahmed-bujariNew York, 07/10/16 (SPS)

O representante da Frente POLISARIO na ONU, Ahmed Boukhari interveio a 7 de outubro na 4ª Comissão da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, em seguida, reproduzimos o texto integral do seu discurso:

Senhor Presidente, como representante da Frente Polisario tenho o prazer de estar hoje novamente perante esta importante Comissão.

Senhor Presidente, não quero responder a coisas, declarações e acusações gratuitas sem fundamento e orquestradas que tenho ouvido estes dias porque acho que é excessivo e supérfluo. Estou em qualquer caso, à disposição da Comissão.

O debate sobre a questão do Sahara Ocidental foi, Sr. Presidente, resolvido há três décadas atrás. Foi resolvido por esta Comissão. A Comissão e o Tribunal Internacional de Justiça disseram, em resumo cinco coisas:

A. Estamos diante de um problema de descolonização. Dois, a presença de Marrocos no Sahara Ocidental é ilegal, eles descreveram como, e cito “ocupação militar que deve terminar.” Três, o povo do Sahara Ocidental tem o direito inalienável à autodeterminação e independência. Quatro: A Frente Polisário, citações, “deve participar de toda a dinâmica de paz como o representante legítimo do povo do Sahara Ocidental” sustentada classificação por milhares de mártires que caíram no campo de batalha e nesta capacidade e memória estou a falar. Cinco: Traçaram-nos um guião, pedindo à Frente Polisário e Marrocos, e cito: “entrar em negociações diretas para alcançar um cessar-fogo e para definir as modalidades de um referendo sobre a autodeterminação do povo do Sahara Ocidental”.

Após 16 anos de guerra sangrenta, na qual Marrocos usou Napalm, fósforo branco e bombas de fragmentação e cluster, os dois lados assinaram o plano de paz do Conselho de Segurança que se baseia precisamente sobre esses dois elementos, ou seja cessar-fogo e referendo. A missão MINURSO foi fundada pelo Conselho de Segurança em março de 1992 para organizar um referendo para permitir que o nosso povo possa escolher entre a independência, a integração em Marrocos ou a autonomia sob soberania marroquina.

O debate foi, portanto, resolvida e a solução foi encontrada, os dois lados concordaram.

Mas Marrocos voltou atrás quando faltava pouco para o referendo. Numa carta ao SG em abril de 2004, disse que ia anexar definitivamente o Sahara Ocidental e que não estava mais interessado no referendo. Por que voltou atrás? .James Baker, o então enviado da ONU para o Sahara Ocidental, nos dá uma pista, e cito: “Marrocos não tinha a certeza de ganhar o referendo”, fim da citação.

A partir daí Marrocos começou a demolir, passo a passo, o edifício que vocês, tinham construído atingindo extremos inaceitáveis; expulsou em março a componente política e civil da MINURSO, denegriu o SG da ONU, recusa-se a retomar as negociações diretas entre as duas partes, e dedica-se a montar provocações na região El Guergarat. O Conselho de Segurança deve assumir as suas responsabilidades.

O que fazer perante tudo isso? A solução mutuamente aceitável para o conflito já foi encontrada. Não há nenhuma outra. Costou uma enormidade de sangue e tremendos esforços da vossa parte e por parte da União Africana. Que fazemos? Vocês e nós? Abandonar a soluação e voltar ao ponto de partida, o conflito aberto nesta região que já tem o seu flanco do Sahel fustigado por ameaças graves? Marrocos não nos oferece mais alternativas do que a violação do direito internacional e da aquisição de território pela força aos países vizinhos. Ou seja a violação das Cartas da ONU e da União Africana.

Queremos a paz, e temos sido e continuamos a ser um parceiro responsável por vossos esforços por uma paz justa, a único que pode ser uma duradoura, mas Marrocos deve cooperar em vez de ter ilusões, sem qualquer base. O povo do Sahara Ocidental não vai abdicar da sua luta pela autodeterminação como não abdicou qualquer uma das pessoas que estão sentados aqui hoje nesta Comissão