Jornalista saharaui sob ameaça

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Mbarek El Fahimi
Mbarek El Fahimi

Mbarek El Fahimi, jornalista da Nuchataa Press, meio de comunicação online saharaui, tem a sua casa e movimentos sob vigilância policial desde 11 de Junho deste ano.

O jornalista e estudante universitário saharaui, foi detido 5 vezes pelas autoridades de ocupação marroquinas entre 2011 e 2014 devido à sua participação em manifestações não violentas contra a ocupação marroquina do Sahara Ocidental e pelo direito do povo saharaui à autodeterminação de acordo com as resoluções das Nações Unidas.

De acordo com as declarações de Mohamed Daddi, jornalista saharaui de 24 anos, que foi detido a 13 de Março em Rabat, quando estava a fazer uma reportagem sobre o julgamento do grupo de Gdeim Izik, o Chefe distrital de segurança marroquino de El Aaiun, deixou claro que pretende deter Mbarek El Fahimi e que este jornalista é um dos alvos das autoridades marroquinas.

Relatório de El Fahimi denuncia sequestro, tortura e detenção arbitrária de El Bachir Eddekhily

Bechir Eddekhily
Bechir Eddekhily

Mbarek El Fahimi, publicou há poucos dias um relatório sobre a detenção do estudante saharaui El Bechir Eddekhily onde denuncia claramente a forma de actuar das autoridades marroquinas.

Relata detalhadamente o sequestro deste jovem , e denuncia o inspector Abd Enbi Saghir como o responsável da unidade policial que deteve o jovem a 16 de Março após ter participado numa manifestação não violenta que foi dispersa pelas autoridades.

Segundo se pode ler no relatório o julgamento de Eddekhily não se diferencia do habitual nos casos de presos saharauis, não houve apresentação de qualquer prova e as acusações e condenação basearam-se apenas nas actas elaboradas pela policia. Eddekhily denunciou que foi torturado e negou todas as acusações. O tribunal condenou o jovem a ano e meio de prisão estando detido na prisão negra de El Aaiun. A pena foi reduzida no tribunal de recurso para 4 meses

No relatório de Fahimi, constam ainda os nomes de três agentes das autoridades marroquinas que obrigaram Eddekhily a assinar sob tortura as actas da policia, Ahmed Kaya, Yassine Barada e Ali Boufry.

As contradições das actas também são aboradas neste relatório com vários exemplos que demonstram que as confissões não correspondem à verdade e que este processo foi fabricado.

Marrocos quer silenciar a verdade no Sahara Ocidental

Esta perseguição de El Fahimi, é mais um exemplo da actuação das autoridade marroquinas de ocupação no Sahara Ocidental.

Os jornalistas de todos os meios de comunicação têm que trabalhar em sem-clandestinidade e são perseguidos, ameaçados, sequestrados, torturados e detidos diariamente como temos vindo a denunciar.

Marrocos que silenciar tudo o que se passa no Sahara Ocidental, mas sobretudo a resistência não violenta e as manifestações diárias da população contra o regime de ocupação e pela autodeterminação do Sahara Ocidental de acordo com o estabelecido no cessar fogo de 1991.

Um território que para além das centenas de milhares de policias, militares e forças auxiliares marroquinos nas cidades, é cercado pelo maior muro de separação do mundo, com 2720km, mais de 150 000 soldados e equipamento militar de alta tecnologia, transformando assim os 266 000 km2 do território com 1200km de costa numa prisão a céu aberto, onde a liberdade de imprensa, expressão, movimento, associação são proibidas pelo ocupante Marrocos.

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