A Frente Polisário assume o controle da pesca, nas águas do Sahara

eldia.es Santa Cruz de Tenerife, 6 / Mar / 18

Mohamed Khadad, responsável pelas relações externas da Frente Polisário com a MINURSO,  alertou hoje que se não se  respeitar a decisão do Tribunal de Justiça Europeu e para chegar a um acordo final,as embarcações pesqueiras das  Canárias serão proibidas de explorar os recursos pesca nas águas do Sahara.

“A pesca nas águas do Sahara Ocidental é uma tradição das Canárias, respeitamos e queremos que continuem, mas não podemos aceitar que seja Marrocos a negociar e a beneficiar da exploração dos recursos”, explicou hoje Mohamed Khadad numa conferencia de imprensa.

Khadad também lembrou que a Frente Polisário estará aberta a partir de hoje para abrir negociações e acordos dentro do quadro legal definido pelo Tribunal de Justiça da  União Europeia, para a continuação da pesca nas águas saharauis.

Por sua parte, o advogado da Frente Polisário, Gilles Devers, lembrou que o objetivo do movimento é a libertação do território saharaui, e sublinhou a necessidade dos governos não transformarem este caso em uma questão económica de “simples” direitos de pesca.

O julgamento do Tribunal de Justiça da União Europeia, que estabelece, em virtude da Carta das Nações Unidas e do princípio da autodeterminação dos povos, que Marrocos e o Sahara Ocidental são territórios distintos e separdoa, não devem ser lidos em termos de vencedores e derrotado, mas na chave da vitória da justiça e da paz, explicou Khadad.

O povo saharaui tem a lei do seu lado, indica a Frente do Polisario em um comunicado, e na conferência de imprensa Gilles Devers pediu às empresas das Ilhas Canárias que se abstenham de toda atividade econômica no território ocupado de Dakhla.

Ele também enfatizou que chamar empresários canários para investir nas áreas ocupadas do Sahara Ocidental é incitar o crime e a ilegalidade, e qualquer atividade econômica será reportada aos tribunais competentes.

É a terceira decisão de justiça favorável à população saharaui, e embora Devers tenha avisado que a sentença não dará independência ao povo saharaui, ele reconheceu que representa um progresso “muito significativo”.

A conferência foi incluída nos “Diálogos ULL”, uma série de entrevistas na Universidade de La Laguna, em que são introduzidas diferentes personalidades do mundo empresarial e social.