A fronteira saharaui com El Guerguerat, Sahara Ocidental, territórios libertados, fechada

Jornal La Realidad Saharaui / DLRS, sábado 11/01/2020. Fotos de ativistas saharauis

A fronteira saharaui de El Guerguerat, Sahara Ocidental, territórios libertados, foi encerrada por iniciativa de organizações saharauis que rejeitam o Rally Africa Eco Race.

Um grupo de cidadãos saharauis mantem fechada desde ontem a passagem entre as fronteiras do Sahara Ocidental e da Mauritânia para impedir a entrada do chamado Rally “Afria Eco Race” que ignorou os avisos da Frente Polisario e da República Saharaui pelo terceiro ano. O Jornal A Realidade Saharaui contactou activistas saharauis, que indicaram que é uma iniciativa que emergiu da Comunidade Saharaui na Mauritânia, nos campos de refugiados saharauis e dos territórios ocupados. “Desta vez não se vai realizar o Rally, apesar de tudo!”, disse a fonte consultada.

Perante desta situação, as Nações Unidas enviaram veículos da Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental (MINURSO) ontem para analisar a situação. Os funcionários da MINURSO puderam conversar com os organizadores da iniciativa, que lhes entregaram uma carta de condenação e rejeição à passagem do Rally Africa Eco Race, alertando-os sobre as consequências e assumindo as suas responsabilidades ao violar um território que se encontra numa situação de conflito e com a presença das Nações Unidas. Os saharauis ergueram tendas, levantaram as bandeiras da República saharaui e cortaram o caminho para as fronteiras da Mauritânia.

Os organizadores do Rally são ex-participantes do Rally Paris Dakar de nacionalidade francesa. Eles estão mal informados sobre a realidade do território e o conflito causado pela ocupação marroquina dos territórios do Sahara Ocidental desde 1976. Militantes saharauis da cidade ocupada El Aaiún disseram ao DLRS que tais iniciativas de protesto devem ser incentivadas. Este tipo de ação é apoiado pelos saharauis dos territórios ocupdados e faz parte da diversidade da luta contra a ocupação marroquina e a inoperância das Nações Unidas.

O Rally está desde ontem na cidade saharaui ocupada de Dakhla, em período de descanso de dois dias de descanso e pensam atravessar a região de El Guerguerat amanhã domingo, ignorando os avisos dos saharauis. É aí que eles vão encontrar a passagem encerrada e outra realidade diferente daquela vendida pela administração da ocupação marroquina.

“É hora de responder ao mundo, aos franceses, espanhóis e às Nações Unidas que basta de atropelar os nossos direitos e abusar da nossa paciência.” Diz um militante saharaui de El Aaiun com quem o DLRS entrou em contato. E ele afirma: “Eles estão a forçar-nos a tomar iniciativas fortes e diversificar a nossa luta. Eles acreditavam que já não existíamos, até os franceses já estão a fazer negócios diretamente no nosso território ocupado, independentemente do conflito e do sofrimento da população saharaui. A Frente Polisario deve agir e não nos deixar pisar pelas Nações Unidas e pela França “, concluiu o ativista saharaui.

Na terça-feira passada, a Frente Polisario enviou uma carta ao Secretário-Geral da ONU, Antonio Guterres, na qual denuncio a violação que o Rally Africa Eco Race está a causar pelo terceiro ano consecutivo e alertou os organizadores sobre as consequências. Os organizadores receberam no seu site o comunicado saharaui e solicitam a várias personalidades e organizações que impeçam a sua passagem pelo território saharaui sem autorização da Frente Polisario e do governo saharaui.

Este novo impulso no conflito levou os representantes saharauis à ONU, Dr. Sidi Mohamed Omar, a reunir-se ontem sexta-feira na sede da ONU em Nova Iorque com o Subsecretário-Geral de Assuntos Políticos e Construção da Paz para abordar a questão desta nova crise causada por Marrocos e pelo Rally Eco Race Africano.