27 DE FEVEREIRO DE 1976: PROCLAMAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA DA REPÚBLICA ÁRABE SAHARAUI DEMOCRÁTICA

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PUSL.- Há 44 anos a Frente Polisario proclamou a constituição da República Árabe Saharaui Democrática em 27 de fevereiro de 1976, um dia depois da última presença colonizadora espanhola ter deixado a área de forma vergonhosa.

Espanha decidiu não proteger a população civil da província 53 como chamava ao Sahara Ocidental, apesar de já ter presenciado a bestialidade de Marrocos com os bombardeamentos com Napalm e Fósforo Branco poucos dias antes.

Durante a noite o território passou de mãos espanholas para mãos marroquinas e mauritanas. A Mauritânia assinou o seu acordo de paz com a Frente Polisario em 1979, renunciando á sua ocupação do território saharaui e a Organização da União Africana e diferentes países reconheceram a nova república. No entanto, Marrocos, em vez de fazer o mesmo, anexou a parte que estava ocupada pela Mauritânia e continuou com a ocupação.

44 anos depois, o povo saharaui sofre uma dura repressão no seu próprio país às mãos do invasor marroquino, ou sobrevive nos campos de refugiados saharauis na Hamada (deserto da morte), perto de Tindouf, outra parte dos saharauis vivem na diáspora tentando contribuir de melhor forma para a sobrevivência deste povo que tantos querem fazer desaparecer ou esquecer.

Não obstante, o espírito dos fundadores da República Árabe Saharaui Democrática ainda está vivo em cada um dos saharauis que lutam diariamente para que a sua causa não caia no esquecimento e para que, de uma vez por todas, a justiça seja feita.

Este ano não é diferente, não vimos nenhuma mudança na vontade dos saharauis de obter justiça e regressar à sua pátria. Nas ruas, nas casas, na clandestinidade dos territórios ocupados preparam as suas manifestações não violentas e outras acções para demonstrar ao mundo e ao poder ocupante que resistem e não abdicam da sua pátria. Nos campos de refugiados resistem às intempéries, à escassez de bens e meios, ao isolamento, às minas, e também aí mostram ao mundo a sua determinação. Na diáspora organizam-se, entreajudam-se e nunca, mas nunca deixam morrer as suas tradições e costumes mantendo viva a cultura saharaui e apoiando aos seus irmãos e irmãs nos territórios ocupados e nos campos de refugiados.

Na arena politica os seus lideres mantêm presença nas organizações internacionais como as Nações Unidas, a União Africana, a União Europeia, muitos países do mundo como delegados ou embaixadores e actuam na defesa dos interesses do seu povo apesar das múltiplas dificuldades numa luta de David contra Golias.

A Frente Polisário sobrevive há 44 anos apesar de todas as dificuldades inerentes a um processo de descolonização que se prolonga sem um fim imediato à vista. O povo saharaui não esmorece e a sua vontade de regressar à sua pátria não tem diminuído mas sim intensificado.

Se há criticas internas à Frente Polisário não é por que os saharauis desistiram do seu direito inalienável à sua autodeterminação, mas sim porque querem ver uma solução rapidamente. Os Saharauis continuam unidas em torno do seu objectivo máximo : a libertação do seu país.

LONGA VIDA A FRENTE DO POLISARIO !!!

SAHARA LIVRE !!!

 

Carta de Proclamação da Independência da República Árabe Saharaui Democrática
Bir lehlu, 27 de fevereiro de 1976 *

“O Povo Árabe Saharaui recorda aos povos do mundo que proclamaram a Carta das Nações Unidas, a Declaração Universal dos Direitos do Homem e a Resolução 1514 das Nações Unidas na sua décima quinta sessão, e tendo em conta o texto da mesma. , que afirma: “Que os povos do mundo proclamaram na Carta das Nações Unidas que estão determinados a reafirmar a fé nos direitos fundamentais do homem, na dignidade e no valor dos direitos humanos, na igualdade de direitos dos homens. homens e mulheres e de nações grandes e pequenas para promover o progresso social e elevar o padrão de vida dentro de um conceito mais amplo de liberdade “.

Aos povos do mundo conscientes dos crescentes conflitos causados ​​pela negação desses povos ou sua liberdade, que constitui uma séria ameaça à paz mundial.

Convencidos de que todos os povos têm direito inalienável à liberdade absoluta, ao exercício de sua soberania e à integridade de seu território nacional …

E proclamando solenemente a necessidade de acabar rápida e incondicionalmente com o colonialismo em todas as suas formas e manifestações para a realização do desenvolvimento econômico, social e cultural dos povos …

Proclamamos solenemente perante o mundo inteiro, baseado no livre arbítrio popular baseado em princípios e alternativas democráticas:

A constituição de um Estado livre, independente e soberano, governado por um sistema nacional democrático, arabe de tendência UNIONISTA, de confessisão islamica, que adquire como forma de regime o da República Árabe Sahraui Democrática. De acordo com sua doutrina, orientação e linha, este Estado árabe, africano e não-alinhado proclama:

O respeito aos tratados e compromissos internacionais.

A adesão à Carta da ONU.

A adesão à Carta da Organização da Unidade Africana, reafirmando a sua adesão à Declaração Universal dos Direitos Humanos.

A adesão à Carta da Liga Árabe.

O Povo Árabe da República Árabe Saharauí Democrática, tendo decidido defender a sua independência e integridade territorial e exercer o controlo dos seus recursos e riquezas naturais, luta ao lado de todos os povos amantes da paz pela manutenção dos valores fundamentais da paz e da segurança internacional e apoia a todos os Movimentos de Libertação dos povos sob o domínio colonialista.

Neste momento histórico em que se proclama a constituição desta nova República, pede aos seus irmãos e a todos os países do mundo o RECONHECIMENTO desta nova nação, expressando expressamente o seu desejo de estabelecer relações recíprocas baseadas na amizade, cooperação e não Interferência nos assuntos internos.

A República Árabe Saharaui Democrática apela à comunidade internacional, cujos objetivos são o estabelecimento de lei e justiça, a fim de fortalecer os pilares da paz e segurança mundiais:

A colaborar na construção e desenvolvimento deste novo país para garantir a dignidade, a prosperidade e as aspirações da pessoa humana.

O Conselho Nacional Provisório saharaui, em representação da vontade do povo da República Árabe Saharaui Democrática.

Bir Lehlu, 27 de fevereiro de 1976