Marrocos quer extradição de Mohamed Dihani, ativista saharaui de direitos humanos

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PUSL.- Mohamed Dihani, ativista saharaui de direitos humanos e ex-prisioneiro político, foi informado pelas autoridades tunisinas de que o governo marroquino está a pedir a sua extradição de Tunes para Marrocos.

O ativista saharaui é bem conhecido por todas as ONG e associações internacionais de direitos humanos. Esteve detido em prisões marroquinas durante 6 anos, de 2009 a 2015.

Ele vive na Tunísia desde o ano passado para se submeter a tratamentos médicos, situação patrocinada pela Amnistia Internacional e por outras ONGs de Direitos Humanos.

Desde que saíu da prisão marroquina, Dihani tem denunciado muito ativamente a situação dos presos políticos saharauis. Ele próprio sofreu torturas hediondas e foi vítima de extrema violência física e psicológica.

Num recente vídeo, Dihani explicou detalhadamente o que aconteceu com ele, mas também nomeou os agentes marroquinos envolvidos na tortura e na prisão arbitrária, além da falta de independência do judiciário em Marrocos. No seu último vídeo, Mohamed Daihani fez um testemunho detalhado sobre as provações que ele passou num local de detenção secreto marroquino, o famoso campo de detenção secreto de Tmara. Ele denunciou como as autoridades marroquinas torturam prisioneiros inocentes, fazem lavagem cerebral e forçam-os sob extrema pressão e tortura a se submeterem à vontade da secreta marroquina, assinando falsas confissões afirmando que são terroristas. (Ver videos aquí: https://www.youtube.com/channel/UCuYVGvEUIvktTU6kg9xFT8Q)

Dihani denunciou ainda que alguns dos prisioneiros são enviados à força a grupos terroristas reais, como os da Síria ou do Mali, outros são declarados terroristas nos meios de comunicação marroquinos e usados ​​em algumas campanhas altamente publicitárias onde se finge que os serviços marroquinos estão a desmantelar células terroristas.

A pedido de porunsaharalibre.org (PUSL), o advogado italiano Nicolo Bussolati entrevistou Mohamed Dihani hoje para esclarecer exactamente o que aconteceu e como ele foi informado sobre o pedido de extradição marroquina.

Segundo o advogado Nicolo Bussoltati, Mohamed Dihani confirmou que, a 15 de maio de 2020, ele foi acompanhado da sua casa em Tunes por alguns indivíduos não identificados em roupas civis e colocado num veículo sem sinais distintivos.

Após alguns minutos, esses indivíduos se apresentaram como agentes da polícia da Tunísia e dirigiram o veículo em direção à sede do Ministério do Interior. Dentro do carro informaram Dihani que o governo marroquino tinha solicitado a sua extradição como terrorista conhecido e como pessoa procurada por delitos terroristas cometidos em território marroquino. Dihani teve a oportunidade de esclarecer a sua posição com os agentes. Ele descreveu as razões da sua permanência no território tunisino e da sua atividade política.

Após a sua explicação, os agentes contactaram os seus superiores por telefone. Eles chegaram perto da sede do Ministério do Interior e aguardaram a chegada de um funcionário, que se juntou a eles no veículo. Dihani esclareceu de novo a sua posição e que não tem qualuer envolvimento em qualquer atividade terrorista.

Os agentes acompanharam-no de volta a sua casa, a fim de adquirirem documentação comprovando o que ele tinha declarado. Os agente também informaram que voltariam no dia seguinte para obter mais documentação contida no computador de Dihani. No entanto, eles não apareceram na data / hora programada.

Mohamed Dihani disse que foi tratado com cortesia e respeito pela polícia da Tunísia.