“Dia de África” sem motivos para orgulho em 2020

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PUSL.- O Dia de África assinala-se este ano sob a pandemia da Covid-19, a urgência de calar as armas e a incapacidade de descolonizar o continente, que continua com o Sahara Ocidental ocupado por Marrocos.

O continente africano comemora, hoje, o Dia de África. Um aniversário triste devido à incapacidade deste continente alcançar a paz e a descolonização completa, marcado este ano, pela luta contra a covid-19 numa região onde as doenças infectocontagiosas têm devastado a população ano após anos .

África que comemora hoje o nascimento da OUA (Organização da União Africana) em 1963, que posteriormente mudou o nome para União Africana. Muitas esperanças se colocaram e colocam neste continente extremamente ricos em recursos sejam eles naturais, sejam eles humanos, mas infelizmente também rico em conflitos armados, onde a integração económica continua longe do desejado e onde o povo Saharaui continua a sofrer uma ocupação selvagem por parte de Marrocos.

A OUA, preconizava uma África unida, livre e responsável pelo seu próprio destino, foi estabelecida a 25 de maio de 1963, que seria depois declarado o Dia da África. O nascimento desta organização teve lugar em maio de 1963, num cenário onde a luta pela independência do domínio colonial ganhava força. Vários líderes de Estados africanos independentes e representantes de movimentos de libertação reuniram-se em Adis Abeba, na Etiópia, para formar uma frente unida na luta pela independência total do continente, a OUA. Trinta e nove anos depois, em 2002, a OUA foi substituída pela União Africana, que reafirmou os objetivos de “uma África integrada, próspera e pacífica, impulsionada pelos seus cidadãos e representando uma força dinâmica na cena mundial”. Marrocos não foi membro da UA uma vez que se retirou assim que a República Árabe Saharaui Democrática se juntou a OUA. Marrocos só recentemente voltou ao seio da Organização Africana violando desde o primeiro segundo o acto constitutivo e criando problemas assim como manobras de manipulação e corrupção.

Este ano, cinquenta e sete anos depois, e devido à pandemia de covid-19, o Dia de África vai ser assinalado com série de iniciativas “online”, promovidas pela União Africana, uma jornada de eventos, a transmitir pelas principais plataformas digitais, tendo como ponto alto uma cerimónia com intervenções do chefe de Estado da África do Sul e presidente em exercício da organização, Cyril Ramaphosa, e do presidente da Comissão da União Africana, Moussa Faki Mahamat.

Previsto está também um debate sobre o tema “Silenciar as armas, criar condições favoráveis para o desenvolvimento em África”. Lamentamos que não se acrescente “Fim ao colonialismo!”

O programa para o “silenciamento das armas em África” até 2020 foi lançado há dez anos e adotado em 2013 pelos líderes da União Africana acabar com todas as guerras, conflitos armados, violência sobre mulheres e violações de direitos humanos, bem como prevenir a ocorrência de novos genocídios no continente. O objetivo estar longe de ser alcançado, mas nas duas últimas décadas foram resolvidos conflitos em países como Angola, Costa do Marfim, Libéria ou Serra Leoa e feitos progressos em casos considerados difíceis, como a Somália e o Sudão, de acordo com uma avaliação do Institute for Security Studies (ISS) africano.

A descolonização do Sahara Ocidental e a independência do seu povo, no entanto, está longe de ser alcançada e a entrada de Marrocos violando os princípios base da UA e contrários ao programa de silenciamento das Armas, é uma vergonha para todos os países africanos que foram coniventes com esta situação.

Em 17 estados africanos ainda existe algum tipo de conflito armado, mas é no Sahara Ocidental que se encontra a área mais minada per capita no mundo, é no Sahara Ocidental que existe o maior muro militar de separação do mundo com 2720km de extensão e altamente fortificado com equipamento militar de alta tecnologia.

É no Sahara Ocidental que os irmãos e irmãs africanas continuam a sofrer a violência extrema do colonialismo e onde os direitos humanos não passam de uma “Fata Morgana”.