Preso político saharaui Lahoucine Amaadour (Husein Brahim) em isolamento entra em greve de fome

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PUSL.- No passado dia 22 de Julho após o regresso do preso político saharaui Lahoucine Amaadour (Husein Brahim) do Tribunal de Recurso de Marraquexe, o jovem foi colocado numa cela de isolamento/castigo conhecida como “Kachó” e entrou em greve de fome.

Amaadour recusou-se a participar na discussão do seu processo, argumentando que a sua família não estava presente. O seu advogado também esteve ausente, pois não foi informado da sessão do julgamento e, portanto, solicitou um adiamento.

Assim que regressou à prisão de Oudaya, Marraquexe o jovem foi enviado para o Kachó (cela de castigo) onde lhe foi dito que iria passar 15 dias em “quarentena”. O “Kachó” é temido por todos os presos em prisões marroquinas, tratando de um espaço exiguo sem ventilação que se assemelha a uma caixa

Amaadour que tem sido alvo de sucessivos maus tratos e adiamentos de julgamento, decidiu entrar em greve de fome, segundo fontes no local.

O julgamento de Amaadour está agora agendado para 23 de Setembro 2020.

Recordamos que Amaadour chegou a Lanzarote a 11 de Janeiro de 2019 numa embarcação ilegal para pedir asilo politico em Espanha. O jovem líder estudantil temia pela sua vida devido às suas opiniões politicas. As autoridades espanholas decidiram não ouvir o jovem e enviaram-no para Naador, Marrocos entregando-o às autoridades marroquinas num processo ilegal que contraria o direito internacional.

Amaadour era conhecido pela sua actividade politica e um dos lideres da Associação de Estudantes Saharauis que defende os direitos dos estudantes, mas também advoga a independência do Sahara Ocidental e era mais que óbvio que seria alvo de detenção e tortura à chegada a Marrocos.

Após sucessivos adiamentos de julgamento e detenção arbitrária por mais de 300 dias Amaadour foi condenado a 12 anos de prisão no dia 26 de Novembro de 2019 sem quaisquer provas incriminatórias num processo que não respeitou nem a lei marroquina, nem o direito internacional.

O processo de recurso que se iniciou a 22 de Abril de 2020, mas tem sido sucessivamente adiado. Amaadour recusa participar num processo que não salvaguarda as garantias mínimas de um processo jurídico, nomeadamente a presença do seu advogado.

Para saber mais sobre este caso consulte os nossos artigos: https://porunsaharalibre.org/?lang=pt-pt&s=amaadour