Entrevista com Jira Bulahi, Ministra da Saúde da RASD

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PUSL.- A Pandemia do Covid 19 afectou todos os países do globo, não poupando a República Árabe Saharaui Democrática. Numa entrevista a Ministra da Saúde, Jira Bulahi conta-nos como enfrentam o virus nos campos de refugiados e nos territórios libertados.

PUSL – Qual é a situação atual em relação aos infectados, falecidos e cadeias de transmissão nos campos?

J.B. – Até ao momento já ocorreram 5 casos, dos quais dois morreram e três já se recuperaram, e estamos a aguardar o resultado dos novos testes de PCR de pessoas que estiveram em isolamento ou em tratamento, que serão notificados assim que tivermos os resultados definitivos.

PUSL – A RASD pediu ajuda a organizações e à comunidade internacional, bem como a várias ONGs para equipamento, meios de diagnóstico e tratamento. Qual é a resposta a este pedido?

J.B. – O pedido de ajuda foi feito a organizações e ONGs, especialmente organizações que são responsáveis ​​por refugiados, bem como organizações regionais a que pertencemos, como a União Africana, e foi obtida uma resposta satisfatória de todos eles. Embora não haja um item específico, todos se empenharam e demonstraram total disponibilidade para responder a esta situação gerada pelo COVID.

PUSL – Como foram aplicadas essas ajudas?

J. B. – Ainda não chegou toda a ajuda, mas já foram tomadas medidas e as respostas estão sendo dadas de acordo com as necessidades, ao mesmo tempo existem ONGs e agências dependentes do ACNUR que trabalham no terreno, a resposta tem sido boa dentro das limitações que as circunstâncias permitem, como o encerramento das fronteiras e o acesso ao mercado onde podem ser adquiridos os meios necessários para fazer face a esta pandemia.

PUSL – A RASD implementou medidas de prevenção desde meados de março. Quais são as medidas neste momento e como está a reagir a população dos acampamentos e territórios libertados?

J. B. – O sistema de saúde da República Árabe Saharaui Democrática funciona nos campos de refugiados e nas zonas libertadas.

Felizmente, nas Zonas Libertadas ainda se encontram na fase 1 do protocolo de ação que consiste na prevenção e nos acampamentos com o surgimento dos primeiros casos no mês de julho, uma série de medidas mais rígidas como o uso de da máscara e de um controle mais exaustivo na higiene com a implantação de lavatórios em diferentes pontos e a mobilidade da população tem sido limitada.

Campanhas de saúde são realizadas pelas diferentes willayas com o objetivo de sensibilizar a população e garantir a aplicação de protocolos de prevenção e monitorar a realização dos exames.
Também foi realizado um censo de pessoas com doenças crônicas para identificar a população de risco e uma vigilância especial para pessoas com mais de 60 anos.

PUSL – Como pode ajudar o movimento de solidariedade?

J. B. – O movimento de solidariedade sempre existiu e o simples facto de sentir a sua atenção, solidariedade e carinho é um grande alento à população e ao pessoal de saúde. Embora existam necessidades específicas que devem ser atendidas como meios de transporte para as pessoas afetadas e a necessidade de desinfetar esses meios após o uso, materiais de proteção e meios seguros para que os funcionários de saúde possam desempenhar as suas funções com segurança. Também é importante condicionar os espaços sanitários existentes e até construir novos em antecipação ao aumento do número de infectados e para poder prestar cuidados seguros e de qualidade, o acondicionamento desses espaços requer equipamentos sanitários como roupa de cama, vestuários adequados para o sanitário .

Tínhamos consciência que este momento ia chegar, é uma pandemia que se alastrou pelo mundo e não ficamos à margem, as estruturas da RASD e da Frente POLISARIO souberam antecipar-se e daí o sucesso com um objetivo claro, que é limitar tanto quanto possível o efeito que pode ter sobre a população.
Temos consciência de que a nossa realidade, as nossas limitações e a nossa forma de convivência e hábitos fazem com que a menor consequência possa ser muito grave para nós, daí a nossa luta constante para limitar a propagação desta pandemia. Felizmente, a população respondeu muito bem com grande responsabilidade. O número de afectados não é alarmante, mas isso não significa que baixemos a guarda.

Quero agradecer a todo o nosso povo pela responsabilidade e a todos os nossos amigos por estarem sempre presentes quando precisamos deles, apesar da distância, do encerramento das fronteiras e de terem sofrido nos seus próprios países o problema desta pandemia e a quem queremos enviar também todo o nosso apoio e solidariedade.