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PUSL .- Hoje o tribunal das autoridades marroquinas de ocupação de El Aaiun (capital dos territórios ocupados do Sahara Ocidental) adiou o julgamento do jornalista saharaui Brahim Amrikli do meio de comunicação NUSHATTA.

O adiamento foi marcado para o próximo 16 de Novembro a pedido do advogado de defesa para preparar a defesa. Amrikli aguarda o julgamento em liberdade.

A Amnistia Internacional exigiu há poucos dias e pela segunda vez em menos de um mês, que as autoridades de ocupação marroquinas retirassem imediatamente as acusações “injustificadas” contra o jornalista saharaui Brahim Amrikli.

“As autoridades marroquinas devem retirar imediatamente as acusações injustificadas contra o jornalista Brahim Amrikli”, disse a Organização num comunicado, considerando que “as circunstâncias da prisão, interrogatório e acusação de Brahim Amrikli sugerem que ele foi alvo pelo seu trabalho como jornalista comprometido e ativista de direitos humanos.”

Brahim é Membro da Fundação Nushatta criada em 2013, uma organização saharaui que monitoriza a situação dos direitos humanos no Sahara Ocidental e difunda noticias nas redes sociais rompendo o silêncio imposto nos territórios ocupados.

Brahim Amrikli cobriu manifestações e também trabalhou em documentários, como um relatório sobre a mina de fosfato de Bou Craa nos territórios ocupados do Sahara Ocidental.

O procurador do tribunal marroquino de primeira instância de ocupação de El-Aaiun acusou, no dia 17 de maio, o jornalista saharaui Amrikli de violar o regulamento relativo ao estado de emergência sanitária em vigor durante a pandemia Covid 19, ao abrigo do decreto-lei sobre emergência sanitária aprovado em março de 2020, e foi também acusado de ter proferido “insultos aos funcionários públicos “, nos termos do artigo 263 do Código Penal.

Na sua primeira audiência, a 7 de setembro, o Tribunal de Primeira Instância de El-Aaiun decidiu adiar o julgamento para 28 de setembro.

A Amnistia recordou que Marrocos tem um histórico sombrio de direitos humanos.

Segunda a AI, Brahim foi preso por quatro policias na cidade ocupada de El-Aaiun, que o forçaram a entrar numa viatura da policia, sob o pretexto de violar o estado de emergência imposto devido à disseminação do “Coronavirus”.

O jornalista foi detido “apesar de ter autorização de viagem” e “até sofreu maus tratos enquanto estava detido na esquadra”.

O relatório da Amnistia Internacional referiu também o caso da detenção do jornalista saharaui Essabi Yahdih, fundador do órgão de comunicação social Algargarat, a 1 de julho de 2020 na cidade ocupada de El-Aaiun, confirmando que também ele tinha sido detido pelas suas atividades na comunicação social.