Sequestro e Tortura do Sr. Bouhalla, Saharaui activista de Direitos Humanos

PUSL.- Ghali Bouhalla, um defensor dos direitos humanos saharaui foi sequestrado na tarde de quinta-feira, 11 de fevereiro, no seu local de trabalho, por um grupo de Comando – Forças Especiais das autoridades de ocupação marroquinas em El Aaiun, Sahara Ocidental.

Bouhalla estava a trabalhar numa mesquita que precisava de algumas reparações, quando as Forças do Comando o sequestraram. A mãe do Sr. Bouhalla ligou para o telemóvel do filho para pedir-lhe um recado, mas foi um colega do filho que atendeu, informando que ele tinha sido sequestrado pelas forças de ocupação, mas que tinha deixado o telemovel com ele antes do sequestro.

Cerca de 20 a 30 minutos depois, forças de comando especial, acompanhadas por policiais uniformizados e o Sr. Bouhalla chegaram à casa da família. Eram cerca das 19h00 locais.

Os agentes do Comando tinham máscaras pretas sobre o rosto. Entre o Comando e a Polícia eram cerca de 25 agentes.

Cercaram a casa e a mãe do Sr. Bouhalla gritou da janela que eles tinham sequestrado o seu filho e que ela não iriria abrir a porta, e que estava sozinha em casa com a sua filha a Sra. Maryam Hamadi (também conhecida como activista de direitos humanos que tem participado desde novembro em várias conferências online denunciando os abusos de direitos humanos no Sahara Ocidental ocupado).

As forças especiais já tinham um aríete nas mãos para arrombar a porta principal da casa.

Arrombaram a porta e iniciaram uma invasão violenta dentro da casa, partindo todas as portas e fazendo uma busca não especificada.

Nenhum mandado ou outro documento foi mostrado à família em nenhum momento, nem explicaram o que estavam a procurar ou quais as acusações contra o Sr. Bouhalla.

O irmão de Bouhalla, Hamza, estava na rua e filmou parte do ataque, a casa foi cercada e ele teve que fugir dos policias que correram atrás dele. Maryam Hamadi podia ouvi-los gritar “tiri, tiri” (atira nele, atira nele!).

Ghali Bouhalla foi empurrado para dentro de casa com uma máscara de pano preto sobre a cabeça. O Sr. Bouhalla gritou palavras de ordem pelos direitos do Povo Saharaui, que a Frente Polisario era a legítima representante do Povo Saharaui, e disse à sua mãe e irmã “não tenham medo e tenham coragem”.

Maryam Hamadi estava a filmar com o seu telemóvel, no momento em que a polícia viu, eles exigiram o seu telefone, que ela negou dar, mas eventualmente eles tiraram obtelefone à força.

Também confiscaram o telefone da mãe do Sr. Bouhalla.

Durante a busca da casa, o grupo Comando encontrou uma bandeira saharaui. Eles removeram a máscara preta da cabeça do Sr. Bouhalla e cobriram a cara e cabeça com a bandeira, sufocando-o e espancando-o brutalmente. A sua mãe tentou colocar-se entre o filho e os agentes agressores, mas foi empurrada para o lado.

A Sra. Maryam Hamadi e a sua mãe foram até à janela aberta e começaram a gritar o que estava a acontecer para que os vizinhos pudessem ouvir, os agentes empurraram as duas mulheres para longe da janela e bateram nos seus rostos repetidamente e atirarsm-nas ao chão.

Três policias ficaram ao redor das duas mulheres, enquanto as forças do Comando levaram Bouhalla com a bandeira sobre a sua cabeça do para dentro de um dos seus carros. Os três policias foram os últimos a sair de casa.

O paradeiro do Sr. Bouhalla é desconhecido no momento.

O Sr. Bouhalla é um ex-preso político, que foi detido e torturado em 2011 por porte de bandeira saharaui e libertado em julho de 2014. Em 2015 durante a visita de uma missão do escritório do alto comissário de Direitos Humanos da das Nações Unidas, participou numa manifestação pacífica denunciando a violação dos direitos humanos e foi vítima da brutalidade policial.