ONG’s denunciam crimes de guerra cometidos por Marrocos contra a população civil saharaui

 

GRAVES VIOLAÇÕES DOS DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES SAHARAUIS.
DENUNCIAMOS A REPRESSÃO MARROCANA.

Desde novembro de 2020, observamos com preocupação o aumento da repressão e do assédio contra ativistas saharauis nas áreas do Sahara Ocidental ocupadas por Marrocos.
Em devido momento destacamos que o contexto da guerra que assola o território, bem como a ausência de uma missão permanente de observação dos Direitos Humanos e de jornalistas que possam documentar os acontecimentos no Sahara Ocidental, foram o terreno fértil para a perpetração com impunidade de graves ataques contra a população civil.

Denunciamos também que a repressão incide sobre os corpos de mulheres defensoras dos direitos humanos, as principais vítimas das ações violentas das forças de ocupação do exército marroquino e dos paramilitares que as acompanham.

Nos últimos meses, registramos centenas de atos de repressão, principalmente invasões domiciliares, ataques físicos, tortura, intimidação, detenções arbitrárias, coerção e uma miríade de crimes de guerra, perpetrados pelo Reino de Marrocos contra a população civil saharaui em geral. E especialmente contra as mulheres que reivindicam legitimamente o direito à autodeterminação do seu povo.

Na madrugada de 12 de maio de 2021, um grupo de paramilitares marroquinos e forças de segurança não uniformizadas atacaram mais uma vez a casa da família das irmãs Khaya, na cidade de Bojador. O assalto ocorreu por volta das 5h30 e durou cerca de meia hora. Segundo as vítimas, os agressores atacaram violentamente toda a família, que dormia, e principalmente as mulheres, que estupraram com paus e tubos.

Tal como as irmãs Khaya, em El Aaiun as activistas saharauis Mina Baali e Mahfouda Lefkir foram detidas sem motivo durante meses nas suas casas, sofrendo um cerco permanente com um enorme destacamento policial que as impede de serem visitadas pelos seus familiares.

Estamos particularmente preocupados com a situação de Mina Baali e seu filho menor, de quem não temos notícias desde 9 de maio. A sua casa foi atacada e ela atualmente não tem acesso à eletricidade nem pode estabelecer uma conexão com o exterior. O seu marido, o também ativista Hassana Duihi, denunciou que as forças de ocupação marroquinas o impedem de aceder à sua casa e se reunir com a sua família.

Denunciamos também a prisão injustificada da activista saharaui Omsad Zawi a 9 de Maio, que foi detida depois de agitar a bandeira da República Saharaui no telhado da sua casa em solidariedade com Sultana Khaya.

Esses eventos ocorrem perante a Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental (MINURSO), que, como aconteceu com a Missão de Assistência das Nações Unidas para o Ruanda durante o genocídio daquele povo, permanece silênciosa e sem denunciar os graves crimes de guerra e crimes contra a humanidade. cometidos pelo Reino de Marrocos contra a população civil saharaui.

Por tudo o acma exposto,

DENUNCIAMOS os crimes de guerra cometidos pelo Reino de Marrocos contra a população civil saharaui, e EXIGIMOS que o Governo de Espanha na sua qualidade de Poder Administrativo do território do Sahara Ocidental que, em aplicação do art. 73 da Carta das Nações Unidas, proceda à proteção da população civil saharaui sob ocupação marroquina.

Em Madrid, 13 de maio de 2021