Estudantes saharauis presos terminam greve de fome após 38 dias

Comunicado Estudiantes

Comunicado Estudiantes

30 de abril de 2016, porunsaharalibre.org

Após 38 dias em greve de fome, os estudantes saharauis, presos políticos na prisão de Oudaya, Marraquexe, terminam a sua greve de fome.

A administração da prisão retirou os estudantes das celas onde estavam com presos de delito comum, separando assim este grupo e foi-lhes concedido direito a visita. Os 16 jovens estão agora divididos em duas celas de 8 pessoas cada. Sendo reconhecido desta forma que não se tratam de presos de delito comum, mas sim de pessoas detidas pelas suas convicções politicas.

Num comunicado os estudantes saharauis alertam para a necessidade de se manter a pressão para que possam ter um julgamento justo, e realização de perícia médica aos detidos que foram torturados.

Recordamos que estes jovens estão arbitrariamente detidos, tendo-lhes sido sistematicamente recusada assistência judicial e foram sujeitos a tortura e práticas degradantes antes e após a sua detenção.

Os estudantes encontram-se detidos na prisão de Oudaya, Marraquexe, tendo entrado o primeiro grupo em greve de fome dia 23 de Março de 2016, ao qual se juntaram mais presos dias 25 e 30 de Março (lista em anexo).

O estado de saúde destes jovens é alarmante e os 38 dias sem comer causaram-lhes graves problemas de rins, hipo- e hiperglicemia, hipo- e hipertensão arterial, perdas de consciência, tendo alguns começado a vomitar sangue.

Ali Shargui, caiu inconsciente ao 28º dia de greve de fome.

As condições de detenção dos presos políticos saharauis é conhecida e degradante, em celas superlotadas sem o mínimo de condições de higiene , sem ventilação, sem alimentação com os nutrientes básicos essenciais, e sujeitos à violência arbitrária diária dos guardas e das administrações penitenciárias.

A tortura é aplicada sem qualquer tipo de objectivo que não seja o de instaurar terror.

Os jovens estudantes solicitam à comunidade internacional que continue a alertar para a sua situação, e exigem um julgamento justo com direito a representação judicial.

As duas concessões feitas pela administração da prisão de Oudaya, não passam da aplicação da lei já existente mas que nunca é posta em prática.

O direito de visita apesar de estar consagrado na lei marroquina apenas é concedido quando as autoridades assim o entendem. É prática corrente negar o direito de visita de forma arbitrária às famílias que se chegam a deslocar mais de 1000km para esse fim.

A falta de processos judiciais transparentes tem sido denunciada sistematicamente por observadores internacionais. A Fundación Sahara Occidental acreditou nos últimos anos mais de 40 observadores de várias nacionalidades que assistiram a julgamentos e emitiram relatórios onde se pode verificar as ilegalidade cometidas contra os saharauis.

As denúncias dos observadores indicam que nunca há provas dos alegados atos cometidos a não ser confissões obtidas sob tortura e as provas de inocência não são admitidas pelos juízes, os acusados são sequestrados das suas casas e da rua sem mandato de captura e busca, e são transferidos para o território marroquino sendo assim vitimas de sequestro internacional uma vez que são residentes do território não autónomo do Sahara Ocidental, os julgamentos são nulos perante a lei e extraterritoriais havendo ainda o grupo de Gdeim Izik que é composto por civis que foram julgados por um tribunal militar o que torna todo o processo ilegal. As condenações dos presos políticos saharauis vão de 4 meses a prisão perpetua.

Lista de estudantes que estiveram em greve de fome:

Em greve de 23 de Março a 29 de Abril: Ahmed Abba Ali Mohammed Rgueibi, Ali Shargui Mohammed Dada Omar Beijna Ibrahim Almasih

Em greve de 25 de Março a 29 de Abril: Hamza Rami Salek Baber Aziz Aluahidi Wafi Olwakari Nasser Omnkur Mustafa Burkah

Em greve de 30 de Março a 29 de Abril: Omar laadjni

Em greve de 23 de Março a 21 de Abril: El Kantaoui Albar (devido à perigo de vida terminou a greve a 21 de Abril)

Nota: Estudantes portugueses juntaram-se a campanha de solidariedade em resposta aos apelos das várias associações de estudantes saharauis que pedem o envio de imagens com mensagens de apoio e liberdade para os presos políticos saharauis.

As imagens podem ser enviadas para: “SOLIDARIDAD CON ESTUDIANTES SAHARAUIS

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