Último adeus à Mohamed Abdelaziz, líder de um povo, guerreiro da Paz e da Independência

entierro m abdelaziz

4 de junho de 2016, porunsaharalibre.org

O povo saharaui despediu-se hoje do seu Presidente, Mohamed Abdelaziz, em Bir Lahlou nas zonas libertadas do Sahara Ocidental, o povo saharaui prestou a sua última homenagem ao falecido Presidente da República Árabe Saharaui Democrática (RASD) e secretário-geral da Frente Polisario, Mohamed Abdelaziz, que morreu a 31 de maio de 2016 com 68 anos de idade e após uma vida dedicada à libertação do seu povo e país da ocupação marroquina.

Em comunicado de imprensa a delegação da Frente Polisário em Espanha informou que se realizou o funeral de Estado, com a participação de todo o Governo da República, os membros do Conselho Nacional saharaui e o Secretariado Nacional da Frente Polisario, acompanhado por mais de trinta delegações estrangeiras e representantes dos movimentos de solidariedade.

Destaca-se nas delegações estrangeiras a presença de vários representantes do Estado Argelino, nomeadamente o Presidente do Conselho da Nação, Bin Saleh e o primeiro-ministro Abdelmalek Sellal; juntamente com o Ministro de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Ramdan Laamamra.

Participaram também vários representantes do movimento de solidariedade espanhol.

O povo saharaui acudiu de todas as partes, dos campos de refugiados, das zonas libertadas da República, dos territórios ocupadas e da diáspora, mostrando assim mais uma vez o grande respeito e carinho que merecia o seu líder, a união do povo saharaui e a sua determinação na luta para alcançar a independência.

Pode-se ler no comunicado que na parte da manhã, os restos de Abdelaziz foram levados para Bir Lahlou, de acordo com os seus desejos; porque este foi o lugar onde, a 27 de Fevereiro de 1976, foi proclamada a República Árabe Saharaui Democrática. Seguindo o desejo expresso do falecido Presidente, uma Comissão Nacional presidida pelo Ministro da Defesa saharaui, Abdalahi Lehbib, preparou um lugar para o enterro nas imediações da escola militar da Quinta Região.

tumba abdelaziz

A simplicidade da campa que é a última morada em terra de Mohamed Abdelaziz reflete e grandeza e nobreza do homem que nunca necessitou de palácios, nem edifícios de mármore, nem casas de luxo. O imenso deserto do Sahara sob o sol escaldante e impiedoso, os ventos de areia e as noites estreladas com o silêncio abençoado foram a sua casa, como todos os saharauis acompanhado de três copos de chá, o primeiro amargo como a vida, o segundo doce como o amor e o terceiro suave como a morte.

O Exército de Libertação do Povo prestou as honras que a ocasião merecia, começando com a saudação oficial à Bandeira Nacional e ao caixão. Após a oração e outros ritos religiosos e costumes saharauis, dispararam salvas.

entierro mohamed abedaliziz

Já na tarde de ontem, o caixão do presidente saharaui percorreu as diferentes wilayas dos campos de refugiados permitindo assim ao povo despedir-se do seu presidente, a população acudiu em peso com demonstrando o seu carinho e grande tristeza.

Como o porunsaharalibre tem vindo a noticiar nas zonas ocupadas do Sahara Ocidental, a população saharaui está sendo severamente reprimida e perseguida pelas forças de ocupação marroquinas, que proíbe qualquer ato ou manifestação que visa prestar homenagem ao falecido presidente saharaui. Assim, a casa do irmão Abdelaziz, em El Aaiun, está cercada impedindo o acesso a amigos e parentes que querem transmitir as suas condolências. Mas mesmo com uma presença militar imensa e repressão brutal por parte do ocupante a população saharaui não desiste de se manifestar e prestar homenagem ao seu saudoso líder.

Durante estes últimos dias foram transmitidas centenas de notas de condolências do Secretário Geral das Nações Unidas, de Governos de todo o mundo, da União Africana, assim como de partidos políticos, movimentos associativos, sindicatos e centrais sindicais, movimentos de paz, organizações não governamentais, grupos do Parlamento Europeu, políticos e personalidades.

As missivas que chegaram de todos os continentes transmitiam as condolências mas também assinalavam a continuação do seu apoio ao povo saharaui e à sua luta pela autodeterminação e independência.

Os países Africanos e da América Latina foram muito claros em todas as mensagens enviadas, reafirmando o direito do povo saharaui à independência sem espaço para dúvida.

minuto silencia ua

Destacam-se ainda a homenagem do Parlamento Brasileiro a Mohamed Abdelaziz, o voto de pesar e de solidariedade aprovado por unanimidade na Assembleia da República Portuguesa e o minuto de silêncio na reunião da 4a comissão para a descolonização das Nações Unidas, o minuto de silêncio dos Chefes do Estado Maior da defesa e segurança da União Africana que decreto um luto de três dias com todas as bandeiras a meia haste. Cuba decretou dois dias de luto e a Argélia oito.

Destacam-se ainda a homenagem do Parlamento Brasileiro a Mohamed Abdelaziz, o voto de pesar e de solidariedade aprovado por unanimidade na Assembleia da República Portuguesa e o minuto de silêncio na reunião da 4a comissão para a descolonização das Nações Unidas.

Mohamed Abdelaziz, deixou um legado de luta, honra, justiça, respeito e carinho. Um estadista, um homem bom e um exemplo que conseguiu unir todo um povo apesar da separação física e dispersão dos saharauis por vários territórios e continentes.

O seu percurso foi árduo, a sua abnegação conhecida, hoje a despedida foi dolorosa, mas o seu sonho não morreu, a luta continuará até à vitória final.

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