Ernesto Che Guevara e Mohamed Abdelaziz serão homenageados no 19º FMJE

19 fmje

7 de jnho de 2016, porunsaharalibre.org

Na primeira reunião preparatória do 19º Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes (FMJE), a ter lugar na cidade de Sochi (Rússia) de 14 a 22 de Outubro de 2017, foi aprovada a proposta que este Festival será dedicado a Ernesto Che Guevara e Mohamed Abdelaziz.

Esta decisão é sem dúvida de extrema importância para os jovens saharauis e população em geral, e uma oportunidade única de divulgação da causa saharaui, país que infelizmente continua sob o jugo colonial em pleno século XXI.

Está prevista a participação de mais de 30.000 jovens de todos os continentes, alcançando assim um número de participantes apenas igualável aos anos 50.

O FMJE não se pode considerar um mero evento, mas sim como um movimento, com raízes nas aspirações dos jovens de um mundo de paz, livre da opressão, da guerra, da exploração, da injustiça.

O movimento dos Festivais começou após uma das maiores tragédias da Humanidade: a Segunda Guerra Mundial.

Após a vitória dos povos sobre o nazi-fascismo, milhões de jovens de todo o mundo assumiram como objectivo o estabelecimento de um mundo de paz, onde a guerra não voltasse a acontecer e onde cada povo pudesse escolher livremente os seus caminhos.

Em 1945, a Conferência Mundial da Juventude decide fundar a Federação Mundial da Juventude Democrática (FMJD), uma organização anti-imperialista que juntou, e junta ainda hoje, dezenas de organizações juvenis de todo o mundo, entre as quais a União de Jovens Saharauis (UJSARIO).

O primeiro festival realizou-se em 1947 em Praga e desde aí, nas suas 18 edições, o Festival já percorreu quatro continentes e 16 países.

Os Festivais, têm um processo preparatório e um âmbito muito amplo com a participação de dezenas de organizações de cada país, e por isso mesmo é um movimento de carácter mundial, com expressão nacional em cada país a cargo de um Comité Nacional Preparatório (CNP) que junta as organizações e os jovens comprometidos com a luta anti-imperialista.

Desde o 1.º Festival muita coisa mudou, mas infelizmente a aspiração universal de um mundo de paz não se cumpriu: desde a Segunda Guerra Mundial, o imperialismo não parou a sua escalada agressiva, prova disso são as inúmeras guerras desde da Coreia, e do Vietname, ao conjunto interminável de conflitos e ingerências.

Nos anos 90 tivemos que assistir a guerra da Jugoslávia, à Guerra do Golfo à guerra no Sahara Ocidental que durou até ao cessar-fogo em 1991, e em pleno século XXI, continuamos a ter guerras e ocupações de forma permanente, onde podemos incluir a guerra do Golfo, as guerras no Afeganistão, Iraque, Líbia e Síria, ingerência e colonialismo, como é o caso do Sahara Ocidental.

Mas também houve muitas conquistas e vitórias, como foi o caso da libertação nacional dos povos que estavam sob dominação colonialista em vários continentes, as conquistas sociais que a luta dos trabalhadores impôs mesmo nos países capitalistas, a derrota de várias ditaduras fascistas na Europa e América Latina e em 2002 a independência de Timor-Leste.

Os FMJE foram em cada edição momentos de partilha de experiências, de palco de denúncia e assim contribuíram para a resistência e para luta pela paz.

Ernesto Che Guevara deu a sua juventude e a sua vida pela libertação de povos na América Latina e em África, a sua vida conhecida de todos, foi um exemplo de abnegação. No seu discurso nas Nações Unidas em 12 de Dezembro de 1964 disse: “é obrigação do nosso governo e do nosso povo expressar ao mundo que apoiamos moralmente e mostramos solidariedade com os povos que lutam em qualquer parte do mundo para fazer valer o seu direito de plena soberania consagrados na Carta das Nações Unidas.”

Mohamed Abdelaziz deu a sua juventude e vida pela libertação da sua pátria e do seu povo, ceifado antes de tempo a 31 de Maio de 2016, não pode ver realizado o seu sonho, um Sahara Ocidental livre, independente e soberano. Mohamed Abdelaziz disse: “Nós não lutamos pela nossa geração, nem para a geração dos nossos filhos, nós lutamos por todas as gerações saharauis”

Estes dois Homens são ícones para milhares senão milhões de jovens, exemplos da vanguarda da revolução, da juventude, de idealistas que transformam através da sua acção a sociedade e o mundo sem pedir nada em troca.

Exemplos de tudo aquilo que deve ser um jovem, irreverente, ávido de justiça e de mudança por um mundo melhor, que no seu dia a dia, apesar da passagem dos anos não perde a chama da juventude e por isso se torna imortal na memória do colectivo de jovens.

Este dois homens unidos por um sonho, por um ideal de um mundo justo, separava-os um Atlântico, mas as palavras de Ernesto podem ver-se ainda hoje em muitas das paredes das escolas dos campos de refugiados saharauis e gerações de Saharauis que estudaram em Cuba são conhecidos por Cubarauis.

É pois a acção destes homens que levou o comitê preparatório a uni-los mais uma vez, agora em homenagem.

Esperemos que esta homenagem inspire os milhares de jovens que irão participar no 19º Festival a apoiar a luta pela libertação da última colónia de África, o Sahara Ocidental

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