Sahara Ocidental possibilidade de retomar da guerra devido à incúria, irresponsabilidade, ganância e falta de moral e ética da comunidade internacional

mapa bandera rasdPor Isabel Lourenço*, 29 de agosto de 2016 / porunsaharalibre.org

Pode ser que dentro de em breve os Saharauis sejam acusados de terrorismo, de desestabilização da região e da guerra. Pois é falso. E é necessário afirma-lo e relembrar a cronologia para que o povo distraído, e média dependente não seja levado pela manipulação da comunicação social e para que a memória colectiva não seja alvo de Alzheimer.

Em 1991 a Frente Polisario e Marrocos sob os auspícios da ONU celebraram um cessar-fogo da guerra que Marrocos iniciou com a invasão e ocupação ilegal do Sahara Ocidental em 1975, bombardeando a população saharaui com fósforo branco e napalm (crime contra a humanidade que nunca foi punido), a deslocação de centenas de milhares de colonos de marroquinos para os territórios ocupados e a construção do maior muro de separação do mundo com 2720km de extensão. Transformaram a zona na área mais minada per capita do mundo e roubam descaradamente os recursos naturais, esgotam o maior lençol de água fóssil do Norte de África e pescam sem respeitar as normas de sustentabilidade. Assassinam, torturam e fazem desaparecer dezenas de milhares de saharauis, todo isto mesmo depois do cessar-fogo e sob o olhar da Missão da ONU no terreno, único organismo estrangeiro presente visto que o território é isolado do mundo e todos os que o visitam são expulsos.

A celebração do referendo de autodeterminação que foi a condição para a assinatura do cessar-fogo, tem vindo a ser adiado sine dia devido à intransigência de Marrocos que conta com o apoio claro ou dissimulado de todos os países da NATO.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas, e todos os restantes organismos das ONU deixam Marrocos cometer as maiores atrocidades nos territórios ocupados contra a população saharaui, fecha os olhos aos julgamentos ilegais e políticos e ao sequestro de saharauis, fecha os olhos à tortura, à violação, ao assassinato. O silencio mediático internacional é absoluto. A cumplicidade de Espanha , administradora perante a lei até aos dias de hoje a ex-colonizadora é absoluta com o reino de Marrocos.

Num acto sem precedentes Marrocos dá-se ao luxo de expulsar parte dos funcionários da Missão da ONU para o Sahara Ocidental e nem uma frase de censura é ouvida por parte do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

A dia 11 de Agosto mais uma vez o cessar-fogo foi violado por Marrocos e foram necessários 18 dias para que o Secretário Geral das Nações Unidas fizesse uma declaração a respeito. !8 dias de violação, apelos vários das autoridades saharauis e por fim a deslocação do contingente militar saharaui para a zona violada. Horas depois da deslocação do exercito saharaui a ONU acorda e é feita a primeira declaração do SG e viaturas da MINURSO deslocadas para o local.

Esta cronologia é bem clara sobre o posicionamento da ONU e do resto da comunidade internacional.

A comunidade internacional deseja mais uma guerra, ou se assim não foi porque não atuar perante as violações sistemáticas de Marrocos?

Marrocos quer impor um regime de autonomia ao Sahara Ocidental em vez da autodeterminação. Quem acredita por um minuto que seja num projecto de autonomia de Marrocos quando Marrocos viola todas as convenções e acordos internacionais subscritos, e a própria constituição e lei ???

Como se pode deixar passar em branco e impune todos os crimes de Marrocos contra o povo saharaui que vive num apartheid político, social e económico nos territórios ocupados, que vive separado por um muro e que nos campos de refugiados continua dependente da “ajuda” dos doadores que oferecem uma lata de sardinha de ajuda humanitária por cada 1000 que roubaram no Sahara Ocidental.

Guerra? Não sou a favor da Guerra, sou defensora da Paz, mas infelizmente a paz na maioria das vezes tem que ser conquistada através da guerra. Os saharauis não querem sangue, já tiveram muito. Não querem destruição, já tudo viram destruído, mas a comunidade internacional parece querer exatamente isso: sangue e destruição, morte e caos.

Espero que ninguém acuse os saharauis que resistem heroica e pacificamente desde 1991, um exemplo a nível mundial, no dia em que retomarem as armas, porque se há povo que merece a independência, é o povo saharaui.

*Isabel Lourenço: ativista de direitos humanos, membro da Fundación Sahara Occidental e colaboradora de porunsaharalibre.org

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