Refugiados saharauis necessitam de 121 milhões de Euros para sobreviver um ano mas UE dá 195 milhões euros a Marrocos para operações de maquilhagem

14407742_1491102190906120_209481647_n21 de setembro de 2016, porunsaharalibre.org

A UE dá 195 milhões de euros a Marrocos para programas de “apoio” ao “desenvolvimento democrático” que são atribuídos aos mesmos organismos que torturam, sequestram e violam todos os que emitem opinião contrária ao regime, em particular no caso da população saharaui nos territórios ilegalmente ocupados desde 1975.

Por outro lado as agências humanitárias das Nações Unidas anunciaram numa reunião na segunda-feira em Argel que as necessidades básicas dos refugiados saharauis para o ano 2016/2017 estão estimadas em mais de $ 135 milhões de dólares (cerca de 121 milhões de Euros) em diversos sectores vitais.

Mais uma vez é evidente a hipocrisia da comunidade internacional que atribui mais apoio a quem ocupa, mata e tortura do que a quem vive em condições extremas devido à incúria de décadas e crime de cumplicidade com o regime ocupante por parte dessa mesma comunidade internacional.

A redução de “gastos” com os campos de refugiados saharauis é de fácil solução. Os custos poderiam ser reduzidos a 0, se finalmente a comunidade internacional obrigasse Marrocos a respeitar o acordo de cessar fogo e o povo saharaui pudesse regressar ao seu país.

A UE é quem mais recortes efetuou nos últimos anos ao apoio humanitário aos campos de refugiados saharauis mas por outro lado tem vindo a incrementar os vários “apoios” ao regime de Marrocos. Entre os vários organismos marroquinos pelos quais são distribuídos os 195 milhões aprovados no final do ano passado, podemos encontrar o sistema penitenciário e o CNDH. O mesmo sistema penitenciário que aplica regularmente a prática da tortura, má nutrição e condições infra humanas aos presos políticos saharauis, que chegam a ter que compartir espaços de 4x5m com 70 presos e onde ficam confinados 20 horas por dia.

O Conselho de Direitos Humanos Marroquino (CNDH) foi um mecanismo criado exatamente para usufruir de apoios e ao mesmo tempo para dizer ao mundo que Marrocos tem organizações independentes de acompanhamento de direitos humanos, algo que não é verdade uma vez que este Conselho não é mais que um instrumento da monarquia alauita e não teve até aos dias de hoje qualquer acção positiva.

Também os Estados Unidos da América têm regularmente e ao longo de décadas enviado dezenas milhões de US$ para Marrocos para “apoiar e incentivar reformas na área dos direitos humanos” ao abrigo de vários programas de parcerias e ajuda.

Enquanto Marrocos já tem garantidos os 195 milhões, os refugiados saharauis estão pendentes de aprovação dos países doadores.

Recorde-se que o Alto Comissariado para os Refugiados (ACNUR), o Programa Alimentar Mundial, a UNICEF e a Organização Mundial da Saúde, bem como 24 países e representantes de 18 organizações não governamentais que operam no acampamentos de refugiados saharauis e do Crescente Vermelho Saharaui confirmaram que a única maneira de acabar com o sofrimento dos refugiados saharauis é acabar com o conflito armado através de uma solução justa e duradoura.

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