Cultura e educação aspectos estratégicos da Frente Polisario – Exemplo para o mundo

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14 de outubro de 2016, porunsaharalibre.org

A Frente Polisario e a RASD tem demonstrado ao mundo que os dirigentes saharauis e a população saharaui se distingue pela positiva em muitos aspectos. Um destes aspectos é sem dúvida a política da República Árabe Saharaui Democrática que opta por definir como um dos elementos estratégicos a educação e a cultura.

Há que valorizar este aspecto, ainda mais devido ao facto de estarmos a falar de refugiados que há 41 anos se encontram em campos no meio do deserto da morte, dependentes da ajuda humanitária para sobreviver, as que mesmo assim e mesmo nos ano de guerra nunca deixaram a educação e a cultura para trás. Um exemplo para o mundo.

Segundo os dados da UNESCO publicados este ano, a taxa de alfabetização nos acampamentos de refugiados alcançou os 96%, tornando-se assim o segundo país com maior índice de alfabetização do continente africano, estando Serra Leoa em primeiro, com 99%. A RASD supera assim a taxa de alfabetização de Portugal que é de 94,8% (fonte INE) e está quase ao nivel do colonizador espanhol que tem uma taxa de 98,1%.

Segundo a mesma fonte em 1975, quando teve lugar a invasão marroquina e começou a guerra, a taxa de alfabetização dos saharauis era cerca de 25%.

Mas a RASD não se contenta apenas com a alfabetização, têm escolaridade obrigatória até aos 16 anos, formação e educação de adultos, formação profissional e educação especial. Jardins de infância, escolas primárias, escolas de ensino especial, escolas para invisuais, centro de formação profissional, escolas secundárias e escolas de mulheres estão em pleno funcionamento, não fechando nem quando há catástrofes naturais como as chuvas torrenciais do ano passado.

A ajuda de Cuba, Argélia, Espanha e outros países é indispensável, mas é sobretudo Cuba que tem formado centenas de jovens saharauis em medicina, engenharia e muitas outras licenciaturas.

Encontramos nos campos de refugiados dezenas de médicos e professores formados em Cuba, mas também algo que nunca esperaríamos encontrar, jovens jornalistas que trabalham na RASD TV, televisão saharaui, que desde os campos de refugiados emite programas que passam desde as noticias, debates, programas culturais, música e até gastronomia.

A defesa da cultura e das tradições é algo indispensável para fazer frente à constante tentativa por parte de Marrocos de se apoderar , transformar e erradicar destes dois pilares da sociedade e a identidade saharaui.

Assim se realizam as mais diversas actividades nos campos de refugiados, que também têm eco nos territórios ocupados, através da RASD TV e da Rádio Nacional Saharaui.

Nestes dias decorre talvez um dos eventos mais mediáticos dos campos de refugiados, o Festival Internacional de Cinema do Sahara Ocidental, FISAHARA, que segunda as palavras do presidente da RASD e SG da Frente Polisario, Brahim Gali “é uma demonstração pioneira que expressa uma mensagem de solidariedade, paz e amor para o povo saharaui oprimido, de modo a refletir a realidade da causa saharaui através de do aspecto intelectual, cultural e artístico “work shops” de formação audiovisual e espaços depara intercâmbio entre diferentes culturas e povos “. O FISAHARA não se esgota nos dias do Festival, pois há uma escola de meios audiovisuais nos campos de refugiados. Este evento que reúne a população saharaui com cineastas e actores de todo o mundo é um projecto que reflecte bem a riqueza da cultura saharaui, que sem nunca perder as tradições ancestrais, abraça novas realidades.

Muito mais haverá para dizer sobre este tema, mas de facto o que é relevante é a força e perseverança deste povo que no meio das maiores adversidades constrói as fundações do futuro, um futuro em que vêm a cultura e a educação como um dos pilares da sua sociedade.

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