Democratas portugueses exigem libertação dos presos políticos de Gdeim Izik a SG da ONU

Numa carta dirigida ao Secretário Geral da ONU, Engº. António Guterres, dezenas de democratas portugueses, entre os quais se encontram ex-presos, familiares e amigos de ex-presos políticos portugueses, apelam à atuação do SG para que interceda junto do governo de Marrocos pela libertação dos presos políticos saharauis do grupo conhecido como Gdeim Izik.

Segundo Carlos Costa esta carta é apenas o inicio de uma luta que terá que continuar e não terminará no dia 23 de Janeiro, data na qual estes presos irão novamente a julgamento.

Carlos Costa foi ele mesmo, preso político durante o regime fascista em Portugal, tendo passado mais de 15 anos em detenção e faz parte do grupo de presos que conseguiu evadir-se do Forte de Peniche.

A pressão internacional é essencial para que Marrocos liberte este grupo e os restantes presos políticos saharauis que se encontram em detenção arbitrária e são vitimas do regime de ocupação.

CARTA enviada ao SG da ONU:

Ao Secretário Geral das Nações Unidas,
Sr. Eng.º. António Guterres

No próximo dia 23 de Janeiro 2017 irão a julgamento 24 saharauis ativistas de direitos humanos que foram detidos após o brutal desmantelamento do acampamento de protesto de Gdeim Izik em Novembro de 2010, onde dezenas de milhares de homens, mulheres e crianças exigiam os seus direitos sociais, económicos e o direito à autodeterminação de acordo com as inúmeras resoluções das Nações Unidas.

Das centenas de detenções arbitrárias de saharauis resta um grupo de 21 presos políticos que juntamente com mais 4 foram torturados durante meses, e que aguardaram em prisão 3 anos antes de serem condenados num tribunal militar em Fevereiro de 2013, um julgamento considerado nulo pela comunidade internacional que se baseou unicamente em confissões obtidas sob tortura extrema e num tribunal extraterritorial, conforme atestam o relatório do grupo de trabalho para as detenções arbitrárias da ONU e a mais recente decisão do Comité contra a Tortura das ONU de Dezembro de 2016.

No passado dia 26 de Dezembro estes 24 saharauis foram novamente a julgamento em Salé, Rabat, 21 que estão a cumprir sentenças de 20 anos a perpetua, dois em liberdade com pena cumprida e um em liberdade condicional devido ao estado de saúde grave.

Nesta sessão os presos políticos estiveram dentro de um jaula de vidro sem poder ouvir o que se passava e apesar de apresentarem todas as garantias exigidas pela lei Marroquina não lhes foi concedida a liberdade condicional até à próxima sessão de Janeiro de 2017.

Estes ativistas de direitos humanos defendem de forma não violenta os direitos garantidos na Carta dos Direitos Humanos das Nações Unidas.

Como ex-preso político e com outros cidadãos democratas vimos por este meio solidarizar-nos com o grupo de presos políticos de Gdeim Izik e apelar a que intervenha para a libertação imediata dos presos políticos saharauis que de nada mais podem ser acusados do que defender as ideias e ideais que a Organização, a que preside , defende e preconiza.

Certo de que o Senhor Secretário Geral das Nações Unidas , tomará as urgentes medidas, que a reconhecida luta pelos Direitos Humanos do Sr. Engenheiro, António Guterres, considerar justas.

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