Gdeim Izik: Sidi Abdallahi Abaha acusa Marrocos

Sidi Abdallahi Abahah foi o segundo acusado a ser interrogado.

Abdallahi Abahah não começou a depôr antes que o deixassem falar com os seus advogados, algo que tem sido dificultado aos presos politicos saharauis. Dois dos advogados de defesa nunca foram autorizados a falar com os seus clientes

Abdallahi começou por dizer que o único representante do povo saharaui é a Frente Polisario e que quer a autodeterminação do Sahara Ocidental.

“Dizeram-nos que o tribunal militar seria justo e no final condenaram-nos sem provas este julgamento esta a ser igual.”

Diz que se recusou a fazer a pericia forense porque a sua advogada tinha exigido um médico independente em conformidade com o protocolo de Istanbul.

O julgamento não pode continuar sem que a pericia forense esteja terminada, disse Abdallahi.

Ao ser interrompido respondeu ao juiz que todos eles estão inocentes e estiveram mais de 6 anos presos agora era a vez dele falar, e disse que falava em seu nome e em nome de todos os presos politicos e do povo saharaui.

Apelou à comunidade internacional e a todas as organizações para que faça pressão para que a MINURSO tenha incluído no seu mandato a protecção da população saharaui.

O juiz reafirmou uma vez mais que o tribunal não era as Nações Unidas e que não queria saber ao que Abdallahi respondeu: mas eu quero saber, vivo num território ocupado!

Denunciou que após a sua detenção foi torturado durante tres dias sem interrupção para acusar Bachir Boutanguiza de profanação de um cadáver, como não o fez continuou a ser torturado também na prisão espancado, regado com agua fria, ameaçado, despido, forçado a correr no patio,durante 23 dias de tortura sistemática.

Em relação ao video que dizem ser uma prova e que no entanto circula em youtube todos podem ver que o acampamento de Gdeim Izik estava sossegado e todos a dormir antes do ataque.

A pergunta que se deve ser feita se querem a verdade é porque as autoridades marroquinas atacaram o acampamento!

Abdallahi classificou este julgamento como a segunda parte de uma peça de teatro que começou no tribunal militar.

Afirmou ainda que o tribunal de Sale não tem competência para oa julgar, que teria que ser num tribunal em El Aaiun, e se assim fosse seria como um referendo para os saharauis nos territórios ocupados.

Não tenho medo deste tribunal, isto é apenas a outra face da mesma moeda.

Interrompe-me quando eu falo e tenta orientar as minhas respostas, disse Abdallahi ao juiz.

Terminou dizendo que: “têm medo de contar a verdade porque oprimem o povo saharaui há 40 anos, mas as minhas palavras não as vou mudar e o povo saharaui está firme e o estado é uma realidade.

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