Estudantes saharauis presos vêem o seu julgamento adiado pela 12ª vez

Os estudantes saharauis detidos há quase 18 meses, viram o seu julgamento adiado pela 12ª vez hoje no tribunal de Marraquexe. Este grupo é conhecido pelos “Companheiros de El Ouali”, jovem estudante assassinado pelas autoridades marroquinas.

Os 17 estudantes (um foi detido e junto ao grupo há poucos meses), são acusados de provocar a morte premeditada de um civil, destruição de imóveis e incentivar destruição de bens e imóveis.

Os jovens foram detidos após a sua participação em manifestações estudantis saharauis.

O observador internacional Emílio Garcia, membro da SOGAPS – Galiza e acreditado pela Fundación Sahara Occidental tinha tentado entrar no tribunal de Marraquexe no passado dia 13 de Junho acompanhado de um tradutor, mas foi impedido pelas autoridades marroquinas. O Sr. García após apresentar o passaporte e acreditação necessária foi informado que não lhe era dado entrada no edifício.

Nesta data o julgamento tinha sido adiado para o dia de hoje.

Segundo as informações apuradas por Emilio Garcia, o grupo consiste de estudantes da Universidade Ibn-Zohr de Agadir e de Kadi Aiad de Marraquexe, o primeiro grupo foi detido a 24 de Janeiro de 2016 e os restantes em datas posteriores.

No dia 9 de Junho, o tribunal iniciou este julgamento apenas para ouvir as acusações e os jovens estudantes que se reafirmaram inocentes e declaram que não abdicam das suas convicções em relação à legitima luta pela autodeterminação do povo saharaui por meios não violentos, de acordo com declarações de Cristina Benítez de Lugo, observadora que esteve presente.

Como porunsahralibre tem vindo a denunciar desde a detenção destes jovens em 2016, os maus tratos e torturas têm sido sistemáticos, e os estudantes já realizaram várias greves de fome reivindicando entre outras coisas, assistência médica básica para os torturados.

As autoridades marroquinas repetidamente têm oferecido aos jovens a liberdade ou redução de acusação, no caso que renegam as suas convicções politicas, conforme denuncia, Bachir Ismail, membro da liga estudantil saharaui em declarações a Emílio Garcia.

As famílias dos estudantes têm sofrido perseguição pelas autoridades marroquinas desde a detenção dos jovens, e não lhes tem sido permitido o direito de visita de forma regular e de acordo com a lei marroquina.

A nova data de julgamento é o próximo dia 6 de Julho 2017.

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