Protestos não violentos de jovens saharauis em Smara

PUSL.- No passado dia 18 de Setembro dois jovens licenciados saharauis Said Abba Sheikh e Mohammed Ahmed Taleb Ahmad entraram na área da MINURSO (Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental ) onde pretendiam entregar uma carta endereçada a António Guterres, Secretário-Geral da ONU, tendo enviado previamente uma cópia por correio electrónico.

Em declarações a PUSL Said Abba Sheikh relatou o sucedido.

Desde o inicio de 2018 que um grupo de jovens licenciados saharauis de Smara têm desenvolvido várias acções de protesto a exigir os seus direitos económicos.
“A realidade que se vive em Smara não é o que é publicitado pelo governo de ocupação marroquino que afirma que é tudo uma maravilha. Vivemos num território ocupado e enquanto saharauis não temos acesso a emprego. Foi por isso que decidimos iniciar uma serie de acções de protesto”

Uma das acções foi um “portesto sentado” em frente a um edifico da Câmara Municipal de Smara durante 38 dias a exigir os seus direitos económicos e sociais.

Sem obterem resposta, 5 dos jovens entre eles, Said Abba, estiveram 5 dias em greve de fome em frente a outro edifício do Governo de ocupação Marroquino. Passados os 5 dias foram-lhes feitas promessas de ofertas de postos de trabalho, mas as mesmas nunca foram cumpridas o que levo a outro protesto sentado de 10 dias em frente à sede do Governo.

Seguiram-se outros protestos todos não violentos mas sem qualquer resultado.

“Fui assim que decidimos romper o silêncio que nos é imposto a nível internacional e tentar entregar a carta para o Secretário Geral da ONU à MINURSO em Smara, na carta denunciamos a nossa situação, apenas queremos que seja conhecida a verdade”.

Os jovens iniciaram a caminhada até a área da MINURSO às duas e meia da manhã, sabendo o risco que corriam, visto que Marrocos rodeia as sedes da MINURSO nos territórios ocupados, mesmo dentro da área já considerada área da competência da Missão.

Quando já estavam perto esperaram pelo amanhecer para que não fossem acusados de serem assaltantes, conseguiram passar vários postos de controle Marroquinos, o primeiro às 5h30 da manhã sem serem detectados, passaram também quatro muros de areia e uma barreira de arame farpado chegando ao ultimo controle às 7h45.

Exibiam cartazes com as suas revindicações, e chegaram 12 soldados marroquinos com metralhadoras gritando ameaças no mesmo momento saíram 3 carros da MINURSO que passaram por eles e viram o que se passava sem pararem.

Os soldados marroquinos fizeram soar um alarme e chegaram mais soldados com armas e bastões que tiraram os telemóveis, mochilas e a carta para o Secertário Geral, aos dois jovens e os levaram num veiculo para o quartel do exercito marroquino perto da sede da MINURSO.

No quartel foram interrogados durante mais de 4 horas tendo sido em seguida levados num carro da Gendarmarie Royal para o quartel da Gendarmarie.

O interrogatório continuou ai, mas desta vez executado por agentes da inteligência marroquina que os ameaçaram e insultaram todo o tempo.

Finalmente foram libertados ao final da tarde devido ao protesto dos familiares em frente ao quartel.

Até ao momento não receberam resposta à carta enviada a António Guterres.

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