Carta aberta aos Deputados Portugueses que votaram favoravelmente o acordo UE- Marrocos no Parlamento Europeu

“ Tão ladrão é o que vai à horta como o que fica à porta” Provérbio Português

Foi com estupefação e pesar, mas sobretudo com profunda vergonha e revolta, que tomei conhecimento do sentido do seu voto a favor do acordo UE/Marrocos e que inclui o território não autónomo do Sahara Ocidental.

Enquanto cidadão Português não posso deixar de lhe manifestar a minha repulsa pelo seu apoio ao espolio dos recursos e à violência sobre o povo Saharaui. Este acordo não só permite o espolio dos recursos pelo ocupante como ainda financia essa mesma ocupação e viola diretamente não apenas um mas três acórdãos do Tribunal de Justiça da União Europeia e o direito internacional e humanitário.

O seu voto a favor viola os acórdãos do TJUE, o seu voto a favor valida e apoia a fraude e a corrupção que acompanha todo este processo e que inclusive levou à demissão de uma Eurodeputada,.

Considero este ato tão grave como um ato de terrorismo cometido no centro duma cidade ou da instituição máxima da Europa que deveria ser um arauto dos direitos humanos e da legalidade O seu voto facilita o financiamento das forças de ocupação marroquinas, de meios humanos e infraestruturas onde se submete inocentes civis à tortura e que diariamente comete as maiores atrocidades a uma população desprotegida. Mais, financia o maior muro de separação do mundo com 2720km de extensão equipado com meios tecnológicos militares suficientes para erradicar um povo inteiro.

Com a sua atitude desrespeita a constituição Portuguesa e faz-me sentir vergonha por si, pelo meu País e pela UE. Por esta falta de respeito pela constituição Portuguesa e pelos ideais Europeus, por esta falta de respeito pelo direito à independência de um povo, por esta conivência com o roubo e com terror, o mínimo que lhe posso exigir é reconsidere o seu posicionamento na próxima votação do acordo de pescas UE-Marrocos.

Com os melhores cumprimentos.

Artur Lourenço

Cidadão Português

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