Líder estudantil Saharaui vai ser presente a Juiz de instrução dia 29 de Janeiro

PUSL .- Lahoucine Amaadour (nome saharaui Husein Bachir Brahim) vai ser presente ao juiz de instrução em Marraquexe no próximo dia 29 de Janeiro.

O Jovem foi deportado no passado dia 17 de Janeiro das Ilhas Canárias após recusa de pedido de asilo em circunstâncias que até ao momento não foram esclarecidas pelas autoridades Espanholas, e detido pelas autoridades marroquinas ao regressar, estando neste momento na prisão de Oudaya em Marrakesh.

Quem é Lahoucine Amaadour/ Husein Bachir Brahim

Husein Bachir Brahim Saharaui nasceu a 3 de Janeiro de 1991 em Guelmin, cresceu na capital do Sahara Ocidental, El Aaiun onde passou a sua infância até que a família foi viver para Tan Tan. Como todos os Saharauis tem um nome “marroquino” Lahoucine Amaadour, imposto pelas autoridades de ocupação e que é o nome oficial em toda a documentação.

Em 2011/2012 iniciou os seus estudos de direito público na Universidade Ibn Zohr, em Agadir, encontrando-se no terceiro ano de direito quando teve que interromper os estudos devido à perseguição das autoridades marroquinas. Amaadour era conhecido pela sua actividade politica e um dos lideres da Associação de Estudantes Saharauis que defende os direitos dos estudantes, mas também advoga a independência do Sahara Ocidental.

Como todos os activistas saharauis também este jovem estudante foi vitima de perseguição política e intimidações por parte da policia marroquina.

Desde 2016 Amaadour foi obrigado a evitar todas as aparições públicas, ano em que foram detidos os estudantes conhecidos por grupo El Uali e que foram condenados a 3 e 10 anos de prisão. Dez destes estudantes foram libertados com pena cumprida no dia 25 de Janeiro de 2019. As autoridades marroquinas emitiram um mandato de busca e captura a nível nacional para Amaadour que segundo as autoridades marroquinas é o cabecilha das organizações estudantis saharauis e de todos os protestos na universidade de Agadir.

A chegada a Espanha

Em situação de desespero devido à busca intensiva das autoridades marroquinas Amaadour decidiu cruzar o Atlântico num barco de emigrantes e no dia 11 de Janeiro chegou à Ilha de Lanzarote. À chegada foi detido pela polícia espanhola a quem pediu de imediato Asilo político.

O que se passou em seguida não é muito claro, devido ao impedimento por parte das autoridades espanholas em deixarem Amaadour falar com a sua família. Após um telefonema em que Amaadour disse que tinha estado com um advogado e que iria a Tribunal no dia 14, não houve mais informações até se saber da sua expulsão. Fica por apurar se de verdade foi presente a Tribunal ou não, mas tudo indica que não foi a tribunal nem teve tempo de iniciar qualquer tipo de acção jurídica.

Os contornos desta expulsão estão por esclarecer, a recusa de pedido de asilo levanta sérias questões uma vez que Amaadour se enquadra e tem todos os requisitos necessários para aceitação deste pedido de acordo com a lei Espanhola e Europeia.

O jovem entrou em greve de fome seca (sem ingestão de comida ou líquidos) até ao momento da sua deportação para Nadour a 17 de Janeiro. Não se sabe se teve a devida assistência médica durante esse período.

A Fundação Sahara Ocidental foi contactada para localizar o jovem uma vez que este não entrou em contacto com a família durante vários dias. Um dia após ser localizado e a Fundação estar no processo de contratar um advogado para o representar Amaadour foi deportado.

De regresso a Marrocos

À chegada a Nadour, o jovem foi sujeito a um primeiro interrogatório pelas autoridades marroquinas, com base no mandato de busca e captura, segundo informações da família Amaadour recusou-se a assinar os documentos que lhe foram apresentados uma vez que o conteúdo não corresponde às suas declarações.

As preguntas incidiram sobre a sua actividade politica, estudantil e sobre a sua opinião sobre o conflito do Sahara Ocidental e quais os activistas saharauis que ele conhece.

O mesmo tipo de interrogatório foi repetido em Casablanca, onde segundo a família, Amaadour denunciou ter sido espancado. Mais uma vez se recusou a assinar quaisquer documentos.

No dia 21 de Janeiro Amaadour foi presente ao Procurador do Rei em Marraquexe e enviado para a prisão de Oudaya,Marrakesh.

No próximo dia 29 de Janeiro irá ser presente ao Juiz de instrução para interrogatório detalhado.

Esta detenção ocorreu escassos dias antes da libertação, no passado dia 25 de Janeiro, com pena cumprida de 10 dos Estudantes do grupo El Uali detidos em 2016 (Nasser Amenkoura, Mustafa Burkah, Omar Laajna, Mohammed Rgueibi, Ali Shargui, Hamza Ramí, El Wafi Wakari, Ahmed Abba Ali, Ibrahim Almasih, Salek Baber,). Omar Beijni será libertado em Março deste ano e El Kantaoui Albar, Abedmoula Elhafidi, Aziz Aluahidi e Mohammed Dada continuam detidos cumprindo uma pena de 10 anos dos quais faltam 7.

A situação dos Estudantes Saharauis tem sido acompanhada de perto pelo PUSL (relatório e artigos) e pela Fundación Sahara Occidental, que enviou vários observadores aos julgamentos.

Uma colaboradora de PUSL e membro da Fundación Sahara Ocidental reuniu com Amaadour em 2015 em Agadir, altura em que o jovem estudante denunciou a situação dos estudantes saharauis nas universidades Marroquinas, as dificuldades económicas, a perseguição politica e os condicionamentos impostos aos saharauis, assim como a firme crença num Sahara Ocidental livre e soberano. Amaadour enfatizou o cariz não violento da resistência saharaui que, no entanto, não significa que abdiquem da única solução aceitável, ou seja a autodeterminação. O jovem demonstrou uma grande decepção com a Comunidade Internacional e o estatutos quo do conflito devido ao não cumprimento da base do acordo de paz de 1991, o referendo de autodeterminação.

Infelizmente vimos agora que Amaadour continua a ter todas as razões para a sua descrença na comunidade internacional, desta vez foi Espanha que voltou às costas a este jovem e o deportou para ser preso e muito provavelmente torturado.

No parlamento europeu os deputados do partido espanhol Podemos e a deputada Marina Albiol Gúzman de Izquierda Unida enviaram preguntas escritas exigindo esclarecimentos sobre a expulsão de Amaadour.

A comunidade Saharaui em Canarias, a Associação de Solidariedade e a delegação da Frente Polisario realizou um protesto a 25 de Janeiro condenado a expulsão e acusando Espanha de entregar a Marrocos um activista quando se sabe que os activistas são duramente perseguidos, torturados e encarcerados sem terem julgamentos que cumpram os mínimos requisitos de justiça.

Aguarda-se esclarecimentos por parte do Governo de Espanha sobre os contornos desta expulsão que puseram em risco a vida desta jovem estudante.

 

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