Apresentado na Universidade do Porto Relatório sobre a situação em que crianças e jovens saharauis vivem nos territórios ocupados

PUSL.- Terça-feira, Isabel Lourenço, membro da Fundação Sahara Ocidental e colaboradora do Pusl apresentou o “Relatório sobre o abuso dos direitos das crianças e estudantes saharauis nos territórios ocupados do Sahara Ocidental”. A apresentação foi organizada pelo Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto (Portugal).

A apresentação deste relatório despertou grande interesse entre os estudantes da faculdade, professores e investigadores e jornalistas presentes.

O relatório denuncia, de forma muito detalhada, a terrível situação de violência continuada sofrida pelas crianças e estudantes saharauis nos territórios ocupados do Sahara Ocidental.

Realça no só os traumas sofridos por estes jovens, como também como veem a ocupação, a presença da MINURSO que 76% dos 300 inquiridos classificam como turistas.

84% das 150 crianças entrevistadas entre os 6 os 15 anos sofrem de ansiedade.

O relatório aborda ainda a situação vivida nas universidades e os jovens em detenção arbitrária.

“Nunca estamos seguros, nem na escola, nem na rua, nem mesmo em casa. Eles podem vir a qualquer momento e levar-te ou bater-te. Na escola eles insultam-nos, batem-nos… eles querem que pensemos que somos estúpidos, inúteis, que as crianças marroquinas são melhores, algumas crianças marroquinas comportam-se como os adultos, nunca são castigadas quando são más para nós, não consigo dormir, tenho sempre coisas na cabeça e no meu coração, às vezes o meu coração bate tão rápido que não consigo respirar.
Kamal 11 anos, .El Aaiun – Sahara Ocidental ocupado

O relatório, que em breve poderá ser consultado no site do Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto, é baseado no trabalho de campo realizado ao longo de cinco anos (desde 2013), por Isabel Lourenço, e entrevistas realizadas durante este período no Sahara Ocidental, Marrocos (Agadir, Marrakech, Tânger e Rabat), Espanha e França, bem como questionários e entrevistas foram atendidas entre janeiro de 2017 e setembro 2018 por 150 crianças (6-15 anos) e 150 estudantes (idade 16 a 24 anos).

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