I Jornada Saharaui “Paco Sánchez Falcón” enfocou a situação das crianças e estudantes do Sahara Ocidental

PUAL.- A Primeira Conferência Saharaui “Paco Sánchez Falcón”, um ativista pró-saharaui que morreu repentinamente em março passado, foi realizada em Lebrija.

Esta jornada foi dedicada às crianças saharauis e começou com a intervenção do Presidente da Câmara de Lebrija, Pepe Barroso, que acolheu as muitas pessoas que ali se reuniram, recordando a figura de Paco e a sua vida comprometida com a solidariedade. O presidente expressou o compromisso do Conselho da Cidade em apoiar a causa saharaui e o seu desejo de que eles pudessem regressar em breve ao seu país livre e independente.

Após a intervenção do presidente, Mohamed Zrug, delegado da Frente Polisário na Andaluzia, iniciou o Colóquio falando sobre a infância saharaui no exílio nos campos de refugiados em Tindouf, salientando a importância que tem para o governo da RASD (República Democrática Árabe Sarauí) cuidar da saúde e da educação, apesar dos meios limitados que têm. O trabalho e o esforço da RASD permitiram que, em três gerações,se passasse da maioria da população analfabeta para 30% dos jovens com ensino superior e 100% da alfabetização nos campos de refugiados. Agradeceu a colaboração de associações e instituições públicas, incluindo a Cidade de Lebrija, e sublinhou a importância que Paco Sánchez Falcón tinha no plano desportivo, mas sobretudo a sua dimensão humana e solidária com o povo saharaui. Zrug expressou o seu desejo de que, um dia, mais cedo ou mais tarde, as crianças saharauis possam viver no seu país, agora ilegalmente ocupado por Marrocos.

Na segunda parte da conferência, a ativista de direitos humanos e membro do Fundação Sahara Ocidental, Isabel Lourenço impressionou profundamente o grande público , apresentando os resultados do seu relatório sobre a situação das crianças e jovens no Sahara Ocodental nos territórios ocupados por Marrocos ((https://www.africanos.eu/images/publicacoes/working_papers/WP_2019_1.pdf)). Vídeos, entrevistas, gravações, fotos, pesquisas … mostraram mais uma vez que a agressão, assédio e violações dos direitos humanos mais elementares, resultam num enorme sofrimento nessas crianças e aumentam o seu suplicio na verdadeira situação de apartheid deste povo.

Este relatório que está disponível online foi o resultado de cinco anos de intenso trabalho nos territórios ocupados do Sahara Ocidental, na diáspora e nas cidades de Marrocos onde há estudantes saharauis. 300 inquêritos e centenas de entrevistas mostram que as crianças e jovens saharauis estão expostas a um grau de violência que pode ser comparado a uma zona de guerra e que o apartheid político, social e econômico imposto por Marrocos nos territórios ocupados e a a violência contra as crianças, mesmo dentro das salas de aulas das escolas, é uma grave violação dos direitos humanos e de todas as convenções ratificadas por Marrocos.

Isabel Lourenço salientou a absoluta falta de proteção vivida pelos saharauis, pessoas que vivem sob ocupação marroquina, onde não há nenhum mecanismo da ONU presente para proteger e intervir contra um lento genocídio planeado e executado com várias técnicas por parte das autoridades de ocupação .

Após este interessante colóquio com grande participação, procedeu-se ao encerramento por Teresa Ganfornina, Conselheira da Câmara Municipal para as Crianças e Educação e Esperanza Jaen, presidente da Plataforma de Solidariedade, acolhendo a participação dos intervenientes e prosseguindo para a entrega do primeiro prêmio de Solidariedade “Paco Sánchez Falcón” que este ano foi concedido à sua família que o recebeu emocianda das mãos dos representantes da Plataforma e da Comunidade Saharaui de Lebrija.

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