População saharaui em El Aaiun sob cerco das forças de ocupação

PUSL.- Desde 20 de Julho que as autoridades de ocupação marroquinas varrem as ruas e casas de El Aaiun (capital do Sahara Ocidental ocupado) em busca de jovens Saharauis efectuando detenções arbitrárias e utilizando armas de fogo.

Após a vitória da equipa Argelina na CAN, milhares de saharauis tomaram as ruas celebrando e a revindicar a independência do Sahara Ocidental. A vitória da equipa Argelina foi o mote para saírem às ruas e quebrarem o silêncio imposto.

Como se pode ver no vídeo as ruas de El Aaiun estão cheias de policias, gendarmaria e forças auxiliares que disparam contra cidadãos saharauis de forma indiscriminada. Camiões com canhões de água, “limparam” as ruas de manifestantes. A morte na noite de 20 de Julho de uma jovem saharaui atropelada por um todo o terreno das autoridades marroquinas, despoletou ainda mais protestos.

El Aaiun está sob um cerco. Milhares de membros das várias forças militares e policiais marroquinas estão a chegar aos territórios ocupados (ver vídeo).

Os jovens que são feridos não vão ao hospital com medo das detenções e subsequentes torturas a que serão submetidos.

“Sabemos que os levam, mas não sabemos para onde e o que lhes acontece… é esta a nossa vida, o nosso sofrimento… não podemos sequer celebrar a vitória do nosso país irmão, sem que sejamos tratados como criminosos! Eles (os marroquinos) não percebem que nunca irão ganhar. Os nossos jovens como os seus pais e os seus avós não aceitarão jamais esta ocupação. Como podem? Marrocos desde que invadiu o território só mata, tortura, viola e rouba! Diga-me porquê ninguém fala de nós?” diz Amaa.

As autoridades estão a realizar rusgas continuas às casas dos saharauis, entrando e destruindo tudo. As detenções arbitrárias incluem vários menores com menos de 15 anos. Os espancamentos violentos foram transformados em “parte do processo de detenção”. Um vídeo publicado por um dos grupos de comunicação saharauis onde se vê claramente o espancamento e detenção de crianças.

“Quando nos viram aos milhares nas ruas, ombro a ombro, gritando as nossas palavras de ordem, ficou claro para Marrocos que estamos unidos e nunca iremos abdicar do nosso país. Foi só isto e já entrarem em pânico. Não o podem permitir, têm medo e por isso recorrem à violência. Se tivessem razão não recorriam à violência. São invasores e têm que sair. Basta de repressão, de miséria, de exploração e assassinatos, Basta!” diz B., estudante universitário e um dos muitos jovens que nos fizeram chegar imagens nos últimos dois dias.

As autoridades de ocupação marroquinas anunciaram que irão iniciar detenções alegando ferimentos de 3 agentes da policia. As imagens falam por si, a violência é contra a população saharaui e a cidade está sob um cerco apertado.

“Não conseguimos manter uma conversa normal por telefone, tudo está sob escuta e as comunicações são interrompidas constantemente” diz-nos uma das nossas fontes.

É prática habitual das autoridades de ocupação de cortar as comunicações no território sempre que assim o entendam.

A MINURSO (Missão das Nações Unidas) que está presente no território não interveio até ao momento para proteger a população saharaui. As acções das autoridades de ocupação violam claramente o direito humanitário, o direito internacional e as condições do cessar-fogo vigente desde 1991.

O representante da Frente Polisário junto das Nações Unidas fez um apelo ao actual Presidente do Conselho de Segurança para que intervenha junto de Marrocos para parar as graves violações cometidas nos territórios ocupados.

Os territórios ocupados do Sahara Ocidental são uma prisão a céu aberto, com o maior muro de separação com 2720km de extensão e minas e outros dispositivos mortais a leste, o Atlântico a este a Norte a fronteira com Marrocos e a sul a fronteira com a Mauritânia (controlada por Marrocos). A população saharaui não se pode deslocar para nenhum lado sem o consentimento das autoridades marroquinas.

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