UM ESTRATÉGICO FATOR DE INSTABILIDADE

Emboirik Ahmed – Representante da Frente Polisario no Brasil

globo.com.– Em um artigo sobre a situação na República Saaraui, o embaixador marroquino no Brasil, senhor Nabil Adghoghi, expõe argumentos que criam confusão e podem induzir os leitores a graves erros de apreciação. Ele nega que a questão saaraui seja, em essência, um processo de descolonização não concluído, embasado na Resolução 1514 da Organização das Nações Unidas, de 1960, que determina a concessão da independência aos países e povos colonizados.

Desde que a França e a Espanha concederam a independência ao Marrocos, em 1956, esse país tem se mantido como um muro de ferro contra o direito à autodeterminação dos países da região, devido à política do “Grande Marrocos”, que converteu a monarquia marroquina em um perigoso fator de instabilidade no noroeste africano.

A Argélia foi vítima de uma invasão injustificada do Marrocos em 1962, logo após sua independência. A chamada “guerra das areias” teve centenas de mortos de ambas as partes. O Marrocos amparava-se no pueril argumento de que um terço do território argelino lhe pertencia. A Mauritânia conseguiu a independência em 1960, mas não foi reconhecida pelo Marrocos até 1969, sob o pretexto de que todo o território daquele imenso país formava parte, historicamente, do reino alauita. Todo o norte de Mali foi também vítima do expansionismo marroquino.

Read more

Ayúdanos a difundir >>>